terça-feira, 2 de agosto de 2011

Multiplicidade do SER

 


Não sei quem sou, que alma tenho.
Quando falo com sinceridade
não sei com que sinceridade falo.
Sou variamente outro do que um eu que
não sei se existe (se é esses outros)... 
Sinto crenças que não tenho. 
Enlevam-me ânsias que repudio.
A minha perpétua atenção sobre mim
perpetuamente me ponta traições de alma
a um carácter que talvez eu não tenha,
nem ela julga que eu tenho.
Sinto-me múltiplo... 



Fernando Pessoa

Um comentário:

Madá disse...

Adoro Fernando Pessoa. Não me caso de (re)ler esse poema. E toda vez que leio me pergunto: Quem sou "eus"?...rsrsrs

Ainda bem que eu(s) tenho você(s) por perto...
Feliz! Feliz! Madá.

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